O Ministério das Finanças concluiu com sucesso, no final de maio, uma operação integrada de gestão de passivos no mercado internacional de capitais que consistiu na emissão de 1,5 mil milhões de dólares em novos títulos soberanos, cujos fundos foram parcialmente aplicados na recompra antecipada de 750 milhões de dólares em Eurobonds com vencimento em 2028 e 2029.
A colocação dos novos títulos foi dividida em duas tranches, sob a coordenação global dos bancos Deutsche Bank e J.P. Morgan:
-A tranche a 5 anos com maturidade para 2031, no valor de 600 milhões de dólares, fixada com uma taxa de juro (cupão) de 8,25%.
-A tranche a 11 anos com maturidade para 2037, no valor de 900 milhões de dólares, fixada com uma taxa de juro de 9,50%.
O livro de ordens registou uma procura global de 4,01 mil milhões de dólares, superando a oferta em cerca de 2,7 vezes, o que reflecte a receptividade dos investidores internacionais ao risco de crédito do país, num período marcado por relativa estabilidade no mercado petrolífero.
Em simultâneo, a oferta pública de aquisição em dinheiro permitiu retirar de circulação títulos que apresentavam maturidades mais curtas.
O Estado readquiriu 446,6 milhões de dólares dos Eurobonds 2028, que foram pagos a USD 1.025,75 por cada USD 1.000 de valor nominal e 287,9 milhões de dólares dos Eurobonds 2029, pagos a USD 1.013,75 por cada USD 1.000 nominal.
Devido ao excesso de oferta por parte dos investidores, foi aplicado um rateio proporcional na série de 2029. Todos os títulos recomprados foram formalmente cancelados.
Do ponto de vista macroeconómico, a operação apresenta implicações duplas para as finanças públicas do país que incluem o alívio de tesouraria no curto prazo, uma vez que a substituição de passivos liberta espaço no OGE e reduz a pressão sobre as Reservas Internacionais Líquidas entre 2028 e 2029, e o agravamento do custo do capital, com o prolongamento do prazo médio da dívida externa a implicar a aceitação de taxas de juro mais elevadas.
O Tesouro substituiu cupões de 8,00% e 8,25% por uma nova taxa de 9,50% na tranche mais longa, o que reflecte as condições actuais dos mercados internacionais, condicionados pelo aperto monetário global e pelas taxas de juro de referência elevadas.
Com esta emissão — a segunda realizada em 2026, após a captação de 2,5 mil milhões de dólares em março —, Angola estabiliza a sua curva de rendimentos e alinha-se com a estratégia de outros emissores da África Subsariana, que têm aproveitado janelas de oportunidade para reestruturar maturidades antes de eventuais períodos de maior volatilidade cambial ou de mercado.
