O mais recente Relatório Sintético Mensal da Empresa Interbancária de Serviços (EMIS), referente a março de 2026, revela que a rede Multicaixa processou um recorde histórico de 356,7 milhões de operações num único mês, movimentando o valor global de 4,73 biliões de Kwanzas.

Em termos comparativos, o número de transacções registou uma expansão de 14,6% face ao mês de fevereiro de 2026, e consideráveis 41,4% em relação a março de 2025, com o ponto alto da actividade concentrado no dia 27 de março, data em que a rede suportou um pico inédito de 15,1 milhões de operações num único dia.

O grande catalisador deste crescimento é a digitalização acelerada.

O canal HBMB, que integra o ecossistema do Multicaixa Express e o serviço de Homebanking, consolidou-se como a principal porta de entrada para o sistema financeiro nacional. Das operações totais registadas no período, 65,6% — o equivalente a 233,8 milhões de transacções — foram realizadas por via digital.

Este comportamento coloca os canais digitais num patamar de distanciamento face aos canais físicos tradicionais.

Os Terminais de Pagamento Automático (TPA) responderam por apenas 19,3% do volume processado, seguidos de perto pelos Caixas Automáticos (CA), que representaram escassos 13,3% do total de operações registadas ao longo do mês.

No que toca à natureza das movimentações, as transferências bancárias mantêm-se como o grande motor financeiro do país, totalizando 2,74 biliões de Kwanzas transaccionados com um valor médio de 68.022 Kwanzas por operação.

Por outro lado, o consumo corrente registou 67,8 milhões de compras comerciais via TPA e Internet, fixando o valor médio de despesa por compra em 15.083 Kwanzas. Já a procura por numerário em caixa física resultou em 24,1 milhões de operações de levantamento, com uma média de 20.331 Kwanzas por transacção.

A sustentabilidade deste ecossistema apoia-se numa rede física que continua em expansão, embora denote uma forte assimetria regional, onde dos actuais 4.577 Caixas Automáticos activos, mais de 59% (2.711 equipamentos) estão localizados na província de Luanda.

No retalho comercial, a presença dos TPAs atingiu a marca de 189.247 equipamentos matriculados, registando uma taxa de actividade operacional de 84,3%.

O parque de cartões de débito válidos no sistema fixou-se em 11,78 milhões de unidades, dos quais 7,48 milhões encontram-se em estado ativo. O avanço tecnológico é igualmente visível no padrão de segurança do mercado, sendo que 97,9% dos cartões elegíveis já utilizam a tecnologia EMV (chip de segurança padrão internacional), o que minimiza os riscos de fraude e eleva os níveis de confiança do utilizador final na rede nacional de pagamentos.

Estes resultados demonstram que, embora Luanda ainda concentre a maior parte da infraestrutura física com 2.711 ATMs, a digitalização está a democratizar o acesso ao sistema financeiro.

O actual cenário apresentado pela EMIS este mês sugere que o futuro da economia nacional será escrito em código, mas com um impacto real na qualidade de vida de milhões de angolanos que agora gerem o seu tempo e dinheiro com um simples toque no ecrã.